segunda-feira, 23 de junho de 2014

O chamado que recebi: Não o desiludais!


“Leva-me aonde os homens, necessitem tua palavra, necessitem de força de viver... onde falte a esperança, onde tudo seja triste, simplesmente, por não saber de ti...”

É assim como diz o trecho da música Alma Missionária que se traduz minha vivência de fé, meu serviço a Deus e minha experiência de comunidade de Emaús. Há 11 anos tive a graça de participar desta experiência de vida que se chama “Curso de Valores Humanos e Cristãos”, promovido em nossa Arquidiocese pelo Instituto das Comunidades Missionárias em Emaús, mais conhecido por Movimento de Emaús. Esta, foi a porta de entrada para o reavivamento da minha fé, para redescobrir o Cristo Ressuscitado e para a confirmação da minha vocação enquanto jovem missionária.

Aprendi na prática que “jovem evangeliza jovem”, como costumamos dizer em nossa comunidade. Esta simples frase fez com que percebesse minha responsabilidade neste processo e permitiu que algumas ações concretas fossem traçadas sobre minha vida.

A primeira delas é estar aberta ao chamado constante que Cristo faz, para ser jovem missionária, atenta às necessidades daqueles que não encontram alento, esperança, paz e a verdadeira alegria neste mundo que nos cerca, tão carente de valores e de referenciais sólidos.

Já a segunda, diz respeito à disposição, entrega, escuta e esforço consciente, buscando a cada dia transformar–me em verdadeira discípula fiel de forma que o mestre, em mim, transpareça. Na prática não é difícil identificar se estamos bem cumprindo esta missão ao nos perguntarmos sempre em um breve exame: hoje, com minhas ações, quantas pessoas se aproximaram de Deus? E quantas se afastaram?

Devemos “exalar o bom perfume de Cristo”, já dizia São Paulo. Que desafiadora e gratificante missão! Uma das minhas mais belas experiências de fé foi receber a confirmação deste chamado no apelo do papa Bento XVI aos jovens por ocasião da JMJ 2011 em Madri, da qual tive a graça de participar:

"....Prezados jovens amigos, o Senhor está a pedir-vos que sejais profetas desta nova era, mensageiros do seu amor, capazes de atrair as pessoas para o Pai e construir um futuro de esperança para toda a humanidade..." e, ainda, "...Levai o conhecimento e o amor de Cristo ao mundo inteiro. Ele quer que sejais os seus apóstolos no século XXI e os mensageiros da sua alegria. Não O desiludais! ..."

Não o desiludais! Este foi o chamado que Ele me fez. Que grande missão! Este pedido do papa, todos os dias ecoa em meu coração.

Aprendi também que o Espírito de Deus suscita em nós muitos dons e talentos e que quanto mais nos permitimos ser instrumentos, mais ele nos chama a servir.  Aprendi a beleza de servir também no silêncio e no anonimato, em um amor escondido. Aprendi que se ama de graça, e só assim é verdadeiro amor. Saber amar também é graça e de graça se é amado por Deus.  Quanto mais estou atenta aos gestos de amor que Ele nos presenteia a cada dia da nossa jornada, percebo que as graças e bênçãos que recebo tem sempre proporções muito maiores do que o SIM que renovo a cada dia, e que mesmo assim, Ele não se importa em dar mais do que receber.  Dar mais do que receber... eis a base do perdão. Em comunidade, aprendemos a perdoar, 70x7! Se o amor constrói, o perdão cura as rachaduras desta obra inacabada que se deixa moldar nas mãos do Senhor.

Aprendi que não há alegria maior do que percorrer o caminho de Emaús e junto ao irmão, sentir o coração arder enquanto ouvimos as escrituras. Corações que juntos batem ao ritmo do coração de Cristo, imprimindo novo andamento a uma vida renovada no Seu amor. Aprendi que é muito melhor quando O reconhecemos ao partir do pão junto aos irmãos, junto àqueles jovens que haviam esquecido da sua presença viva entre nós, ou que sequer não o conheciam!

Neste ano em que a comunidade de Emaús em Florianópolis comemora seus 40 anos de serviço à nossa Arquidiocese, fica o sentimento de pertença, de alegria por fazer parte deste instrumento de evangelização e de vivencia de fé que marca gerações e que permite uma experiência de vida única na vida de tantos jovens. Fica a certeza de que todos aqueles que percorreram esta caminhada, levam consigo um amor profundo para dar ao mundo e assim destruir qualquer dor, como diz nosso hino.


Hoje minha alma está em festa
Não há mesa como esta sempre há pão pra se partir
Minha alma é aquela aldeia
Meu amor a estalagem Emaús enfim sou eu...”
Fica Conosco Senhor! 
Com Carinho, Marília Moser



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